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Vitória da incerteza – Walter Barbosa e o planejamento durante a crise

Walter Barbosa -MB

Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de ônibus da Mercedes-Benz

Historicamente, o primeiro semestre de um ano eleitoral costuma ser bom para o mercado de ônibus urbanos. O Poder Público, como só pode faturar até três meses antes das eleições, costuma concentrar suas compras até julho e isso acaba alavancando um pouco os resultados.

Mas este ano, em função da crise, essa característica é substituída por uma incógnita, na avaliação de Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de ônibus na Mercedes-Benz. Quando não tem eleição, as compras têm uma distribuição regular por todo o ano.

São os empresários que compram, levando em conta as classificações de ano/modelo. Quando se trata de grandes cidades, com idade máxima do chassi determinada em lei, podem ganhar mais um ano adiando a compra, por exemplo, do último trimestre para o ano seguinte. “O comércio de usados também está em queda porque os prefeitos do interior, clientes tradicionais, acabam optando pelos carros novos do Caminho da Escola. No entanto, como este ano o programa está impactado pela economia, as compras de usados podem ser retomadas”, comenta, buscando razões para mostrar otimismo.

Como perspectiva, o volume de 2015 foi o pior da história. Não pela quantidade, mas pelo percentual de queda, de 40% no mercado e 36% no volume Mercedes-Benz. Mas o market share da marca está em 52,5%. Essa liderança parece extremamente sólida, mas não substitui a necessidade de rentabilidade.

Mas a agenda positiva do setor pode vir do mercado de rodoviários, que segue como o mais promissor. Com demanda reprimida, por conta desse tempo de paradeira devido a indefinição quanto à política de concessões de linhas, o volume da frota estacionou em 110 mil unidades. Mas é melhor colocar as coisas na devida proporção.

Chassis MB O 500 RSD

Chassis MB O 500 RSD para ônibus rodoviários

“Desse total, somente cerca de 14 mil ônibus estão envolvidos nessa expectativa de licitação. Indo mais fundo, somente 6 mil deles estão no momento de exigir uma troca rápida, baixando a idade média da frota de 8,2 para 5 anos”, informa Barbosa. Mas essa movimentação ainda está dentro do cronograma oficial, estabelecido em junho de 2015. Falta apenas a ANTT definir o ritmo de renovação. O contraponto é o aumento dos juros no PSI, de 6,5 para 14%.

O negócio de ônibus está sendo afetado, no momento, por fatores como taxas de juros, custo operacional, energia, água, mão de obra e desoneração da folha. Questões como a constante queima de ônibus também preocupam. Para Barbosa, isso é “uma forma de expressão, um protesto contra outros problemas sociais, e de grande impacto para quem quer chamar a atenção. Claro que os ônibus não têm nada a ver com isso e uma campanha, do tipo eu uso, eu cuido, seria muito útil”, afirma, lembrando que ônibus urbano não tem seguro.

Ninguém passa impunemente por um momento como esse na economia e a falta de crédito tem muito a ver com as restrições bancárias impostas pela queda na rentabilidade do operador. A situação é agravada pela queda constante no número de passageiros transportados. “No geral, não se espera retomada nas compras até meados do ano. Pelo contrário, com muitas plantas de encarroçadoras fechadas, o ritmo de produção deve seguir entre 600 e 800 unidades/mês”, comenta.

Mais leves
Olhando-se o mercado por segmento de veículo pode-se dizer que sempre vai haver a faixa de 8 a 12 toneladas, por causa das aplicações específicas como os micros para fretamento e turismo. Para Barbosa, os midi tem de ser analisados dentro do segmento de urbanos, pois o perfil de clientes é exatamente o mesmo. O que define a escolha é a análise de demanda, sob critérios como os horários de uso.

“As cooperativas, que desapareceram em uma cidade como São Paulo, estão se redirecionando para carros como os midi de 15 toneladas. Outra oportunidade para carros pequenos ainda está nas linhas alimentadoras. Até porque já existe oferta de chassis midi com suspensão a ar”, analisa o especialista. (Roberto Queiroz)

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