Eustaquio Sirolli Segurança Tecnologia

Nos primórdios da condução autônoma…

por Eustáquio Sirolli

Eustáquio Sirolli, gerente de Desenvolvimento de Produto na Foton Aumark do Brasil.

Eustáquio Sirolli, gerente de Desenvolvimento de Produto na Foton Caminhões.

Recentemente algumas empresas de alta tecnologia no setor automotivo apresentaram a solução para que carros e caminhões sejam conduzidos sem a interferência do motorista, ou seja, de forma autônoma!

Quando se atinge tal nível de evolução no setor automotivo, então vem a reflexão, como isso foi possível? Gostaria de externar um ponto de vista e, sem ser absolutista no tema, só refletir e fundamentar as tecnologias e processos. Como sou bem focado em caminhões, o road-map irá buscar a história desse e nesse produto, mas para automóveis seria bem correlata.

Bem, nos anos setenta a Mercedes introduziu nos seus caminhões e ônibus o ABS, sistema antibloqueio de rodas, e o ASR, sistema anti-patinagem de rodas. Aqui, no meu entender, é onde tudo começa, ou seja, dominar a física de frenagem e tração das rodas. Para mim, isso é um marco entre a evolução da carroça para o carro, e do carro para a mobilidade com eletrônica embarcada em um sistema vital para a segurança na condução do veículo.

Logo mais adiante vieram os sistemas de assistência de frenagem, EBS, o sistema de estabilização ESP, que evita o tombamento do veículo, o line assistance, que alerta o motorista sobre desvios do veículo de dentro das faixas demarcadas nas estradas, o distance control, sistema que mantém o veículo dentro de uma faixa de distância segura do carro à frente, e o ABA, active brake assistance que, em caso de distração do motorista, faz com que o veículo seja autonomamente freado pela eletrônica e inteligência embarcada.

Com mais uma série de sensores e algoritmos lógicos de decisão, chegou-se à condução autônoma, um feito memorável no setor automotivo. Isso irá mudar completamente a interação homem-máquina, e deveremos atingir um nível de segurança antes impensável, uma forma de contratação de “motoristas” com outros pré-requisitos, e as mulheres deverão ter um espaço de trabalho bem atrativo.

O caminhão deverá ser encarado, de fato, como uma solução ou alternativa de transporte e logística sem igual, seguro, confortável, amigável e, acima de tudo, econômico! As rotas deverão ser lidas com antecipação quanto ao tráfego, perfil topográfico, alternativas mais rapidas ou mais curtas, tudo isso de fato autonomamente falando.

Mas gostaria de voltar a raiz da tecnologia que permitiu que tudo isso acontecesse, o ABS com o ASR, sistema que tive a oportunidade de gerenciar sua introdução no Brasil, no início dos anos 90, com o apoio da WABCO, quando fizemos o de lançamento para imprensa e órgãos do governo no aeroporto de Viracopos. Tudo era ainda muito simples naquele tempo. O O-370 foi o ônibus utilizado e os cavalos mecânicos da época receberam o ABS/ASR ainda em motores mecânicos!!!

Tomando-se 1978 como referência para a introdução do ABS/ASR, chegamos  em 2014, após 36 anos, na condução autônoma. Que vitória tecnológica!

Related Posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.