PSA antecipa ofensiva de utilitários na América Latina

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Citroen+Jumper+Combi1
Montadora fará novos furgões e picape média; e não descarta parcerias.

O Grupo PSA prepara um novo e ampliado portfólio de veículos utilitários Peugeot e Citroën para a América Latina, incluindo vans, furgões e até uma picape média, com o objetivo de ampliar expressivamente sua presença nesse segmento na região. Os modelos serão lançados entre 2017 e 2018 em diversos países latino-americanos. “Vamos fazer uma ofensiva com a meta de duplicar nossos volumes no mercado de utilitários no eixo pan-americano e triplicar as vendas no Brasil e Argentina, usando para isso a grande experiência que a PSA já tem na Europa, onde as duas marcas do grupo lideram esse setor”, afirma o franco-brasileiro Frédéric Chapuis, que no ano passado deixou a direção comercial da Citroën Brasil para assumir o comando da recém-criada área de modelos comerciais leves da PSA América Latina como vice-presidente de veículos utilitários.

No mercado europeu a PSA domina o segmento de utilitários com 18,9% das vendas na região em 2016, com participações que chegam a 32,9% em Portugal, 31,2% na França e 28,5% na Espanha. Esses porcentuais são muito modestos na América Latina, onde os veículos comerciais leves representam apenas 5,23% dos negócios, devido principalmente à baixa estatura no Brasil (0,6%) e México (1,45%), aumentando para 9,7% na Argentina e atinge a melhor marca no Chile com 10,7%.

Novos produtos – A explicação para participação tão baixa no mercado brasileiro é a quase ausência de produtos, apenas dois e ambos muito defasados, quase 20 anos sem modificações. No País são vendidas gerações muito ultrapassadas do furgão pequeno Peugeot Partner, feito na Argentina, e dos furgões grandes Peugeot Boxer e Citroën Jumper. Os dois últimos eram montados junto com o Fiat Ducato na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), replicando aqui o mesmo acordo de fabricação que a PSA mantém com a Fiat na Europa. Contudo, em novembro passado a parceria acabou no Brasil e os furgões deixaram de ser produzidos – porém ainda há estoque à venda que deve cobrir a procura nos próximos meses, segundo garante a PSA.

A lacuna aberta pela ausência de modelos produzidos na região deverá ser fechada com novos produtos que devem ser fabricados dentro do Mercosul, mas nem todos necessariamente nas duas fábricas do grupo na Argentina e no Brasil. Calos Gomes, presidente do Grupo PSA América Latina, não descarta parcerias: “Vamos ter produtos próprios, mas negócio de veículos comerciais são propícios para cooperações, como é o nosso caso na Europa com a Fiat e Toyota. Novas parcerias podem ser feitas na América Latina também”, informa, sem revelar maiores detalhes, que serão anunciados no próximo dia 13 de março, quando a empresa vai divulgar o plano completo para a unidade de utilitários na região, incluindo o novo portfólio a ser lançado. Nesse sentido, existem especulações de que a nova picape média Peugeot poderia ser montada sobre a plataforma da Toyota Hilux, que é produzida na Argentina.

Mesmo na Argentina, onde a participação nas vendas de utilitários é maior, a PSA oferece poucos e desatualizados produtos atualmente: lá são feitos os furgões pequenos Peugeot Partner e Citroën Berlingo e ainda há estoque à venda do Boxer e Jumper que eram importados do Brasil.

Ideia bem melhor do que poderá ser a nova linha de utilitários na região pode ser tirada do Chile, que apesar de ser um mercado cerca de 10 vezes menor do que o brasileiro, é atendido pela PSA com uma completa e moderna família de quatro furgões Citroën (em ordem crescente de tamanho, Nemo, Berlingo, Jumpy e Jumper) e seis Peugeot (Bipper, Partner, Expert e Boxer fechada, minibus ou chassi-cabine, além de duas versões da Partner e Expert para passageiros). Todos os modelos são de gerações atualizadas, importados da Europa.

“O portfólio vai mudar [no Mersosul]. Vamos oferecer uma linha completa de ambas as marcas, incluindo vans, furgões e picape. Parte terá produção local e outros serão importados”, informa Chapuis. A intenção também é oferecer picapes para uso pessoal, sem aplicação comercial, que hoje no Brasil são classificadas como “comerciais leves” e por isso inflam esse segmento, que com 300 mil unidades emplacadas em 2016 representou um terço das vendas de veículos leves, tanto no País como na América Latina inteira, onde foram vendidos 900 mil utilitários no ano passado, equivalente a 17% do mercado de leves.

“Sabemos que algo em torno de 50% das vendas de picapes pequenas e médias no Brasil são para uso particular. Alguns modelos são verdadeiros carros de luxo que custam R$ 200 mil. Temos de participar também desse mercado se quisermos crescer na região”, justifica Chapuis.

Espaço para crescer – O executivo, que trabalha há 24 anos no grupo, destaca que não se trata apenas de uma ofensiva de produtos, mas também de serviços relacionados, com oferta de manutenção própria e atendimento dedicado nas lojas, como acontece na Europa. “A intenção é abrir uma nova frente de negócios para os concessionários, que poderão ampliar o faturamento com a criação de áreas de veículos utilitários em seus showrooms”, explica.

Com a criação da unidade de utilitários, a participação das vendas corporativas da PSA no Brasil, para frotistas, deverá avançar para além dos atuais 18%, se aproximando da média nacional, de 24%. Mas o CEO Carlos Gomes observa que esse segmento “tem dois mercados, o falso e o verdadeiro; nós só queremos participar do primeiro, com contratos rentáveis”, garante. O executivo diz que “nem quer ouvir falar” de negócios para fazer volumes, quando carros são vendidos a locadoras e outras frotas praticamente sem margem de ganho. “Fico até indisposto quando ouço falar nisso”, diz.