Packaging aumenta eficiência e agilidade na cadeia logística

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* Por Lilio S. Rocha Neto

Com as condições econômicas atuais do Brasil, as empresas estão
operando em um ambiente complexo e desafiador, requerendo soluções
rápidas e efetivas. Mas, mesmo deixando de lado as questões
econômicas, a mistura de desenvolvimentos tecnológicos, instabilidade
dos mercados, rápida mudança na sociedade e o crescente foco em
sustentabilidade está contribuindo para uma maior pressão comercial.

Como resultado, o embalamento secundário (também conhecido como
co-packing), ou seja, a criação de kits promocionais de um ou mais
produtos, com ou sem brindes, tem se tornado cada vez mais importante,
especialmente no Brasil, onde o consumidor é atraído por promoções e
condições especiais. Porém, para que esse procedimento – comum em
várias indústrias – atinja seu verdadeiro potencial, ajudando a
responder adequadamente aos desafios mercadológicos atuais, ele deve
ser integrado à cadeia logística, permitindo que as empresas capturem
seu valor integral.

Tradicionalmente, o co-packing funciona da seguinte forma: as empresas
identificam um produto ou linha que se beneficiaria de uma promoção,
define as tecnologias a serem utilizadas (como impressoras, scanners 3D
e outras ferramentas de prototipagem), juntamente com os modelos e
componentes dos kits, repassa todos componentes para um co-packer que,
por sua vez, faz a montagem e retorna para o Centro de Distribuição
(CD). Por exemplo, uma empresa de consumo que produz pastas e escovas de dente pode criar um kit promocional com ambos os produtos. A empresa
escolheria o formato do kit e depois pediria o manuseio a um co-packer,
enviando o produto a ele. O kit é então montado e enviado de volta à
empresa ou para um operador logístico para distribuição. A primeira
vista, esse processo não traz maiores problemas; mas, um olhar mais
próximo e principalmente prático, evidencia potenciais gargalos
sérios.

O principal é o impacto do modelo, dimensões e peso dos kits no
processo logístico. Dependendo destes fatores, o custo logístico pode
ser muito elevado, cancelando, assim, os ganhos obtidos na alavancagem
comercial. A ausência de comunicações regulares para esclarecer
dúvidas durante o projeto ou durante a produção dos mock-ups pode
acabar retardando a entrega final. Por fim, a parceria com um co-packing
significa a criação de mais uma etapa na cadeia de suprimentos,
levando a uma complexidade adicional e a prazos mais longos.

Existe um caminho alternativo, porém, que permite a captura de muitos
benefícios. Nesta abordagem, o co-packer participa do projeto desde o
início, ou seja, após a definição do kit promocional. A empresa
convida o co-packer a participar, passando a ele um briefing dos
produtos que precisa promocionar, prazos e demais informações
relevantes, método que chamamos de solução E2E (End-to-End). O
co-packer então propõe a tecnologia a ser aplicada e um modelo de kit
– com base em sua experiência e conhecimento em vários mercados, e
não apenas naquela empresa ou setor – que já leva em consideração o
impacto na cadeia logística.

Usando esta abordagem, o copacker pode fazer a montagem dos kits dentro
da própria fábrica, em um Centro de Distribuição ou em um Centro
Especializado de Packaging Multiclientes, agilizando assim o processo e
reduzindo custos ao longo da cadeia de suprimentos, sem sacrificar a
qualidade. É importante ressaltar que o kit promocional deve estar em
linha com a comunicação visual da marca, uma vez que ele passa a ser a
primeira comunicação com o consumidor final. A solução E2E é
preferível porque mantém a consistência de todo o processo. Como
resultado, as empresas podem reduzir consideravelmente os riscos
envolvidos, assim como o tempo de resposta, permitindo um “time to
market” mais rápido.

A escolha da tecnologia mais apropriada impacta muito nos custos e
eficiência da operação. Em relação ao volume, o super ou
subdimensionamento dos componentes que compõem os kits, além de
atrapalhar a disposição nas gôndolas, afeta o volume por
carregamento, potencialmente encarecendo a operação. A disposição e
dimensionamento das caixas também podem impactar diretamente os custos.

A mudança de abordagem descrita acima mostra bem que a inovação não
se limita apenas à tecnologia. Ajustes relativamente simples de
processos que resultem em grandes impactos e benefícios podem ser tão
inovadores quanto – mas as empresas devem estar abertas a mudança, a
reavaliação constante de suas operações e a busca dos parceiros
certos.

* Lilio S. Rocha Neto é gerente de Operações de Packaging Services
da DHL Supply Chain Brasil