O ciclismo sócio-econômico

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Bicicleta

Investir na infraestrutura para o ciclismo e fomentar essa atividade pode representar uma economia surpreendente para as administrações públicas e também para o seu bolso

por Gustavo Queiroz

Em todo o planeta, o ciclismo desempenha um papel importante na mobilidade pessoal. Mesmo assim, a bicicleta como meio de transporte poderia ter uma importância ainda mais destacada nas sociedades. Abaixo, veremos diversas razões, inclusive econômicas, para que as cidades comecem a direcionar mais esforços para “viralizar” esta forma tão saudável de mobilidade urbana, dada a conveniência e acessibilidade das bicicletas.

De acordo com o estudo “A Global High Shift Cycling Scenario”, publicado em novembro de 2015, o planeta poderia economizar o equivalente a US$ 24 trilhões considerando o período de 35 anos, entre 2015 e 2050, se mais pessoas pudessem pedalar em segurança. Amsterdã, capital da Holanda, é o exemplo prático perfeito de que investir neste modal vale a pena.

Na cidade holandesa, 40% da população se locomove pedalando. Se nos demais grandes centros urbanos mundiais também houvesse infraestrutura e estímulo para a prática do ciclismo, considerando que apenas 10% se desloque com bicicletas, as cidades poderiam gerar uma economia de US$ 700 bilhões anualmente, sendo coerente com a projeção de US$ 24 trilhões até o ano 2050.
Entre os fatores que proporcionariam tal redução de gastos, considerando a intensificação da frota circulante de bicicletas, destaque para a redução dos recursos que seriam investidos na construção ou reforma das vias públicas. Afinal, o desgaste do pavimento – seja qual for – é praticamente nulo com o tráfego das bikes.

Embora não contemplado neste levantamento, os gastos com saúde também seriam reduzidos drasticamente, considerando a melhora na qualidade do ar e a prática de exercícios físicos regularmente, no mínimo. Também é preciso considerar que onde há menos carros, menor também é o número de acidentes. Outro fator não mensurado é o aumento da produtividade das pessoas, seja no âmbito profissional, quanto em atividades pessoais, já que a população perderia menos tempo em seus deslocamentos e, assim, poderia desfrutar mais com lazer e estudos, por exemplo.

O custo de propriedade e manutenção do veículo, comparando um automóvel com uma “magrela”, também é “absurdamente” desproporcional, com larga vantagem para as bicicletas. Sobretudo, se compararmos com os preços praticados no Brasil, em que um veículo dito popular custa a partir de aviltantes R$ 40.000,00.

Assim, as emissões de carbono seriam reduzidas em aproximadamente 11% até 2050, considerando que o volume deste poluente despejado no ar pode dobrar neste período se nada for feito.

Com o aumento populacional, que seguirá crescendo, assim como a frota circulante de automóveis, se faz necessária a oportunidade de fazer as mudanças nos hábitos da sociedade, permitindo que uma parcela maior da população possa se auto-transportar pedalando ao invés de levar aquele monte de ferro – que ocupa um espaço desproporcional para transportar, normalmente, apenas o motorista – para passear.

A cidade de Sevilha, na Espanha, é um exemplo interessante, considerando que os deslocamentos feitos de bicicleta passaram de 0,5% do total da população, em 2006, para 7% em apenas sete anos.

Quando se fala em “cidades inteligentes” ou “cidades do futuro”, quer dizer que o planejamento urbano deve, justamente, priorizar a qualidade de vida e o convívio entre os seus habitantes e as questões referentes há mobilidade urbana – que sempre podem extrapolar para outro temas, como saúde, segurança, etc – são fundamentais para o desenvolvimento dos objetivos sociais. É preciso pensar em cidades menos dependentes dos carros.