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Mercedes-Benz mexe na produção. De novo…

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Para compensar mais uma reviravolta no projeto Juiz de Fora, montadora anuncia investimentos de R$ 730 milhões para as suas plantas de veículos comerciais

por Roberto Queiroz

Nem bem iniciou a produção dos caminhões Accelo e Actros em Juiz de Fora, a Mercedes-Benz volta atrás e redireciona sua estrutura fabril em uma outra direção. Meio que ignorando os investimentos já feitos na atual configuração de sua produção e evitando utilizar a palavra prejuízo, agora Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, anuncia que a produção do Accelo voltará para São Bernardo em 2016. A atual linha Actros continua na fábrica mineira pelo menos até 2018.

O assunto já é delicado, e fica ainda mais difícil de ser explicado em função de boataria espalhada pelo setor trabalhista, boa parte disso propagada pela mídia. Assim, a montadora optou por valorizar o aspecto positivo de mais uma mudança, quase uma volta à situação anterior, e fala bastante em novos investimentos, para o aumento da sinergia entre as duas fábricas brasileiras. A unidade de São Bernardo do Campo receberá cerca de R$ 500 milhões para modernizar e ampliar as suas instalações produtivas, e cerca de R$ 230 milhões serão investidos para duplicar e ampliar as instalações da linha de montagem bruta e a área de pintura de cabinas da planta de Juiz de Fora.

Essa decisão é anunciada como parte da estratégia competitiva da companhia para atender às necessidades específicas do mercado, mas essas tais necessidades não são apresentadas. Um acordo de cláusulas econômicas e sociais com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC tem duração até 2017 e garante previsibilidade para a Mercedes realizar investimentos na planta de São Bernardo do Campo.

Essa nova reviravolta vai custar mais R$ 730 milhões em investimentos, integralizáveis no período 2015-2018. A unidade paulista, maior da empresa na América Latina, terá seus R$ 500 milhões para a construção de novas linhas de produção de caminhões, agregados e mudanças na infraestrutura da fábrica.

Dessa forma, os R$ 230 milhões adicionais aos investimentos já anunciados anteriormente seriam empregados unicamente para duplicar e ampliar as instalações da linha de montagem bruta e a área de pintura de cabinas da planta de Juiz de Fora. Com essa medida, futuramente toda a produção de cabinas dos caminhões Mercedes-Benz estará concentrada na cidade de Juiz de Fora.

Segundo Schiemer, a concentração das atividades produtivas das cabinas em uma única planta cria espaço na unidade paulista para futuramente produzir todas as linhas de caminhões em São Paulo. Em função disso, circula com força no mercado, embora sem confirmação pela MB, a informação de que a atual linha Actros seria descontinuada em 2018 e sua substituta já viria para São Bernardo. “A partir de 2016 iremos produzir o caminhão leve Accelo em São Paulo, enquanto a produção do extrapesado Actros continua em Minas Gerais”, minimiza  Schiemer.

Com toda a produção de caminhões em São Bernardo do Campo e a concentração da fabricação de cabinas em Juiz de Fora, a Mercedes quer também maior flexibilização para fazer a gestão de seu negócio e responder mais rapidamente às demandas de vendas. Com esse novo investimento, a Mercedes atinge um montante de R$ 3,2 bilhões aplicados nas plantas de São Bernardo do Campo e Juiz de Fora até 2018, o maior programa de investimentos do país para veículos comerciais.

É bom não esquecer que em janeiro de 2012, quando entrou em operação, a fábrica de Juiz de Fora era avaliada por Jürgen Ziegler, então presidente da Mercedes-Benz do Brasil, como marcante para a expansão da atuação da companhia no Brasil e na América Latina. “Com investimento de R$ 450 milhões, a nova unidade foi transformada e preparada para a produção de caminhões Accelo e Actros num tempo recorde de 18 meses”, afirmava.

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