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Trânsito paulistano: preconceito e uma saída viável

por Jorge Miguel

Jorge Miguel é diretor executivo do Transfretur

Jorge Miguel, diretor executivo do Transfretur.

A resistência na utilização do ônibus é histórica, uma vez que é hostilizado, considerado um meio de transporte ‘inferior’ ou até mesmo relacionado com ‘perigo social’. Hoje há a preferência por sair de casa dentro do próprio carro, ligar o rádio e passar um tempo preso nele parado no trânsito, sem hora certa para chegar ao destino, acreditando que aquela forma é a mais confortável.

A percepção errada que a população afere contra o ônibus transforma essa rotina em uma verdadeira carga de estresse. O elitismo agregado quando se trata deste tipo de transporte coletivo traz à realidade a falta de planejamento urbano e a completa ausência de consciência do cidadão, que fecha os olhos para novas alternativas e soluções.

O transporte individual motorizado tem crescido consideravelmente em todo o País. Só em São Paulo são 6,5 milhões de pessoas saindo para trabalhar diariamente, na mesma hora. Para os dias de rodízio, a saída para muitos é comprar outro automóvel com final de placa diferente e o problema está resolvido, o que evidencia uma preocupação mais individualista do que coletiva.

O que ainda falta ao paulistano é enxergar o quanto este tipo de pensamento acarreta em piores condições de trânsito. O ônibus de fretamento, por exemplo, não deve ser visto como um meio defasado ou ultrapassado, uma vez que ele vem como um aliado na busca pelas melhorias na mobilidade urbana, principalmente em uma grande cidade como São Paulo.

A população ainda não parou para avaliar quais os benefícios que o transporte coletivo é capaz de oferecer, mas números do fretamento apontam que esse meio retira das ruas até 20 carros por viagem, com potencial para tirar até 40, trazendo reduções significativas, dentre as principais: menor emissão de gases poluentes, menor número de acidentes e a diminuição considerável da quantidade de carros que ocupam as vias em horários de pico.

Dados de pesquisa realizada pelo Transfretur, Sindicato das Empresas de Transporte por Fretamento e por Turismo da Região Metropolitana de São Paulo, cerca de 27% das pessoas trocariam seus carros pelo fretamento. Se 80% desses respondentes realmente mudassem de transporte, seriam retirados de 4 a 5% dos automóveis que circulam na capital na hora de pico, um número já expressivo e que causaria um impacto bem marcante na sociedade. É bom para o funcionário, melhor para a empresa e ótimo para a mobilidade urbana.

E é totalmente possível atender a essa demanda com o transporte por fretamento, uma alternativa de alta qualidade, que tem o compromisso com a pontualidade, o conforto e a segurança, itens essenciais para a prestação deste tipo de serviço. Hoje o passageiro também já tem à disposição ar-condicionado, internet wireless, TV digital com sinais de dentro do próprio veículo, além da possibilidade de descansar, atualizar a leitura ou mesmo falar ao celular sem risco algum durante o trajeto.

Por isso é necessária uma mudança de cultura que mexa com a consciência do cidadão, para que ele reavalie uma nova postura e tenha outra percepção do ônibus como um aliado e não como vilão. Senão tudo indica que essa bola de neve que envolve trânsito e estresse se agigantará cada vez mais.

* Jorge Miguel é diretor executivo do Transfretur (Sindicato das Empresas de Transporte por Fretamento e por Turismo da região metropolitana de São Paulo)

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