Jorge Miguel Mobilidade & Sustentabilidade

O poder público como facilitador do transporte coletivo privado

por Jorge Miguel

Jorge Miguel é diretor executivo do Transfretur

Jorge Miguel, diretor executivo do Transfretur.

Movimentos no mercado têm acontecido para que a regulamentação do fretamento na cidade de São Paulo seja ajustada de forma a contribuir para a mobilidade urbana trazendo mais usuários. O transporte coletivo privado tem se mostrado como uma alternativa mais confortável e economicamente viável ao passageiro de rotas contínuas e frequentes do que o veículo de transporte individual. Ao contar com ajuda do poder público no desenvolvimento de melhorias, o cenário é ainda melhor.

Agências reguladoras, sindicatos, federações e diversas instituições do setor de transporte coletivo privado de passageiros têm buscado por meio de parcerias, discussões e elaboração de documentos levantar tópicos que possam trazer mudanças benéficas a toda a indústria, cadeia produtiva e, principalmente, à sociedade. A motivação é o conhecimento de que grande parcela dos usuários de transporte individual está disposta a migrar para o coletivo.

Atualmente os veículos de fretamento encontram dificuldades para atender a demanda de passageiros com consciência coletiva devido à grande zona de restrição e proibição de uso das faixas exclusivas para ônibus urbanos. Porém, trabalhando em parceria com órgãos públicos a fim de desenvolver ações, legislações e alternativas, será possível contemplar esse usuário.

Com auxílio do poder público é possível atrair cada vez mais usuários para o fretamento que trabalha como um sistema complementar aos trajetos diários do cidadão paulistano que se desloca ao trabalho ou faculdade. É importante que haja uma regulamentação e capilaridade para que o transporte contínuo de executivos atue de forma natural e complementando o  sistema.

O governo municipal atual tem se mostrado aberto e preocupado em ouvir os agentes do setor. Uma das recentes medidas foi a revisão da Lei do Fretamento que ainda está para ser votada na Câmara Municipal. Porém, apesar da Zona Máxima de Restrição ao Fretamento, as empresas que trabalham de forma regularizada podem circular desde que possuam uma Autorização Especial de Trânsito – AET.

Também com a gestão atual está sendo discutida a exceção de circulação, embarque e desembarque nas faixas exclusivas do transporte público e também prioridade de circulação em outras vias. A expectativa? De que o setor será atendido!

Com a realização dessas solicitações e outras de fácil execução, como a criação de estacionamentos e bolsões para embarque e desembarque em vias adequadas, veremos o crescimento desse tipo de transporte na cidade, contribuindo para a redução dos carros e consequentemente stress, poluição sonora e ambiental.

Como pincelado acima, o próprio passageiro demonstra interesse em conhecer o transporte por fretamento. Pesquisa realizada nos estacionamentos do centro expandido da cidade de São Paulo indica que mais de 30% dos 750 motoristas entrevistados estão dispostos a deixar seus carros em casa em busca do conforto e tranquilidade oferecidos pelo coletivo privado.

Ou seja, se todos os agentes interessados trabalharem de forma conjunta e, principalmente, com o apoio do poder público, veremos esses 30% de motoristas circulando em ônibus por fretamento retirando cerca de 5% dos veículos individuais das vias paulistanas, possibilitando assim um pouco de respiro no meio do caos. Resumindo, fora do coletivo não há salvação!

* Jorge Miguel é diretor executivo do Transfretur (Sindicato das Empresas de Transporte por Fretamento e por Turismo da região metropolitana de São Paulo)

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