Mato Grosso investe em infraestrutura de transporte multimodal

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Na década de 70, Mato Grosso realizava a construção da BR-163, uma das rotas mais importantes do centro-oeste para escoamento de cargas.

Um dos Estados líderes na geração de riquezas e que vê na ampliação dos modais de transporte um desafio para continuar a crescer e desenvolver de suas estradas, hidrovias e ferrovias. Esta é uma definição que traduz com propriedade a história de Mato Grosso. Nascido em 9 de maio de 1748, completa este ano 269 anos de existência.

Na década de 70, Mato Grosso realizava a construção da BR-163, uma das rotas mais importantes do centro-oeste para escoamento de cargas, e que ainda está em processo de asfaltamento e duplicação. A população testemunha atualmente a execução de um dos maiores programas nesta área: o Pró-Estradas, pacote de obras de pavimentação, reconstrução e manutenção de rodovias estaduais criada pelo governo Pedro Taques.

Muitas famílias mato-grossenses estão presenciando transformações com a passagem do Pró-Estradas pelas cidades onde residem. Em dois anos o Governo repassou mais de R$ 500 milhões em recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) para os 141 municípios de MT; concluiu 1.430 km de asfalto entre obras de pavimentação (712 km) e reconstrução (718 km) e fez a manutenção de mais de 2,5 mil quilômetros de rodovias não pavimentadas, além de destinar 542 mil litros de óleo diesel para os municípios da região do Xingu.

Ao lado das BR-364, 070 e 158 e de diversas MT’s, a 163 supre parte das necessidades da circulação de mercadorias.

Dados como os citados acima são reiterados por estudos de órgãos como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquáticos (ATAQ), Agência Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF) e Departamento Nacional de Infraestruturas (DNIT), nos quais fica comprovado que regiões beneficiadas por obras de infraestrutura apresentam melhores índices de desenvolvimento humano (IDH).

Tais estudos atestam ainda a vocação de estados como Mato Grosso para o transporte das riquezas produzidas em seu território, baseada na sua formação geográfica (extensas planícies e amplos planaltos, onde 74% do seu território se encontra abaixo dos 600 metros de altitude), que favorece o investimento nos transportes rodoviário, hidroviário e ferroviário; e isso reflete, por consequência, na capacidade que o estado tem de escoar sua produção de commodities, produtos que funcionam como matéria-prima, a exemplo da soja e boi gordo, para os mercados interno e externo.

No papel de escoadora, surge uma rodovia tida como das mais importantes: a BR-163. A via terá 453 quilômetros duplicados ao custo de R$ 6,8 bilhões, num período de 30 anos, com o objetivo de escoar a maior produção de grãos do país, que, de acordo com estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), será de R$ 58 milhões na safra 2016/17. Além disso, o Estado tem o maior rebanho bovino de corte do país, com 29 milhões de cabeças, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea).

Ao lado das BR-364, 070 e 158 e de diversas MT’s, a 163 supre parte das necessidades da circulação destas mercadorias. Contudo, toda essa produção não pode ser transportada exclusivamente via rodovias. Por isso, o Governo tem investido também na construção de ferrovias.

A expansão da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte), para ligar Rondonópolis a Cuiabá, recebeu sinalização positiva e a intenção de que os trilhos subam para o norte, e facilitem o escoamento da produção do Estado.

Os investimentos nos diferentes modais convergem de acordos entre o Estado e a União, facilitando o planejamento da movimentação da mercadoria produzida no Estado pela cadeia de distribuição física internacional. Mato Grosso conta hoje com o maior terminal intermodal da América Latina, situado em Rondonópolis, um dos quatro terminais da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte), que interliga o Estado ao Porto de Santos, em São Paulo. Dentre as principais vantagens do modal ferroviário estão o baixo custo, porque tem baixa incidência de taxas e utiliza combustíveis mais baratos; grande capacidade de carga, menor risco de acidentes e maior segurança no transporte da carga.

A chegada da Ferrovia até Cuiabá deve acontecer breve. As 16 entidades que compõem o Fórum Pró-Ferrovia em Cuiabá apresentaram ao governador Pedro Taques estudos produzidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que comprovam a viabilidade do modal logístico passar em Cuiabá e, posteriormente, conectar o ramal ao Norte do Estado (Sinop). Dessa forma, será possível aumentar o escoamento da produção agrícola, que deve crescer nos próximos anos, passando das atuais 50 milhões de toneladas de grãos para 90 milhões.

O ramal até Cuiabá e, posteriormente até Sorriso, já está sendo planejado pela concessionária. O Estado de Mato Grosso tem informações de que a empresa pretende fazer investimentos na ordem de R$ 5 bilhões, nos próximos anos. No entanto, depende desta prorrogação da Malha Paulista.

Ferrovia Bioceânica – Além desse projeto, Mato Grosso conta com a construção da Ferrovia Bioceânica, projeto estratégico para criar uma saída alternativa para o Pacífico e acesso aos mercados asiáticos e facilitar o acesso das áreas produtoras de commodities agrícolas do Centro-Oeste à malha ferroviária existente e aos portos do litoral brasileiro.

A Ferrovia Lucas do Rio Verde/MT – Itaituba/PA (Distrito de Miritituba) também visa melhorar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, conectando-se do Pará ao Porto de Miritituba, na hidrovia do Tapajós, o que beneficiará também o transporte hidroviário do Estado. O Rio Paraguai apresenta-se como alternativa, em uma rota multimodal, para o escoamento das safras agrícolas do Mato Grosso, com destino aos centros exportadores, ou para abastecimento do próprio Estado.

Esse rio desempenha importante papel na integração do Brasil com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. As condições de navegabilidade são boas, favorecendo essa integração, o que deverá se acentuar à medida que se desenvolvam as regiões da área de influência do rio, bem como a hidrovia Paraguai-Paraná, modal alternativo às exportações estaduais. O rio Araguaia apresenta, a longo prazo, elevada potencialidade de transporte de carga, notadamente grãos agrícolas, em função da sua área de influência.

A retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) também devem acontecer em breve.

Porto fluvial e VLT– O porto fluvial de MT, situado em Cáceres, será reestruturado para incorporá-lo à uma política de Integração Latino-Americana, buscando a implantação do sistema de transporte intermodal, e a ligação por rodovia com a Bolívia, terminando no Oceano Pacífico, no Chile.

A retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) também devem acontecer em breve. Reuniões tem sido realizadas desde o início de abril, quando ficou decidido que a Administração Estadual vai investir mais R$ 922 milhões para a conclusão integral da implantação do modal, sendo R$ 327 milhões de passivos remanescentes e mais R$ R$ 594 milhões de outros custos para a finalização.

A previsão é de que as obras sejam retomadas em maio deste ano com prazo de conclusão total de 24 meses. O cronograma das obras prevê a entrega da primeira etapa, em março de 2018. Já a linha 2 será entregue até maio de 2019.

Com a renegociação feita pelo Governo de Mato Grosso com o Consórcio VLT, o modal de Mato Grosso terá o menor preço por quilômetro do Brasil. O VLT de Cuiabá – Várzea Grande custará, ao final, R$ 44,8 milhões por quilômetro, enquanto o da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, custou R$ 56 milhões.