Eustaquio Sirolli

Suspensão a ar, “to be or not to be”

Eustáquio Sirolli, gerente de Desenvolvimento de Produto na Foton Caminhões.

Eustáquio Sirolli, gerente de Desenvolvimento de Produto na Foton Caminhões.

Há um tema intrigante, que merece ser abordado de forma provocativa e analítica, ou seja, suspensão a ar em caminhões pesados, que precisa de uma avaliação mais profunda no caso brasileiro. Aqui no Brasil já usamos caminhões próximos em tecnologia dos europeus, pois Scania, Volvo, MAN, Iveco e Mercedes tem em seu portfólio produtos que, na sua essência, vem da plataforma européia.

Obtive a informação de um tradicional fabricante de transmissões que o Brasil é o pais com o maior índice de caminhões pesados com transmissão automatizada, felizmente. Temos que pensar que aqui, diferente da Europa, os caminhões graneleiros, em especial, tracionam uma carga de até 74 toneladas nas rodovias e deixar de ficar “batendo alavanca” para trocar as marchas é um grande alívio físico e emocional. A eletrônica, quando bem feita, faz o serviço de forma precisa e econômica.

Agora, outra tecnologia que poderia ou poderá contribuir para uma rodagem mais suave e confortável para o condutor é a suspensão a ar. Mas, talvez, seu maior benefício seja minimizar o desgaste das estradas. Um estudo feito pela OECD, cujo nome do trabalho é DIVINE, mostra que a suspensão a ar em eixos com a mesma carga que em suspensão metálica pode reduzir algo entre 15 a 60% o desgaste das rodovias, dependendo da espessura do pavimento, e ressalta que os grandes causadores de desgaste e danos nas rodovias são os caminhões pesados.

Pelo que se entende do resultado dessa análise, que teve a participação de 17 países, europeus e norte-americanos, a suspensão a ar é   mais amigável ao menor desgaste do pavimento, pois essa suspensão alivia algo entre 10 e 12% das cargas dinâmicas, consequentemente reduzindo os danos à pista. Esse tema de suspensão a ar precisaria ser melhor avaliado no contexto brasileiro, pois os custos de reparos e manutenção das estradas poderiam ser minimizados, preservando-se assim qualidade das rodovias por onde escoam principalmente a maior commodity brasileira, grãos de soja.

Talvez uma legislação que privilegie caminhões e, porque não ônibus, com suspensão a ar, poderia trazer um outro benefício ao pais, já que os recursos financeiros para construção, reparos e manutenção das estradas e pontes são escassos. Assim, uma tecnologia já largamente dominada pelas grandes montadoras poderia também contribuir para a economia, segurança e qualidade das estradas de forma expressiva.

Esta é apenas uma pequena abordagem, porém é um tema que precisa evoluir, pelo menos no Brasil, quanto a factibilidade  dessa tecnologia. Pessoalmente, tive experiências com as duas alternativas de suspensão em veículos comerciais, metálica e a ar, e isso n os últimos 30 anos, e desde o início tive essa percepção. O estudo DIVINE me parece bem consistente e um referendo para tal conjectura.

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