• segunda-feira , 1 setembro 2014

Seguro de auto

É direito da população buscar formas alternativas de garantia de bons serviços e preços justos

por Eduardo Meirelles, gerente de Pesquisas & Desenvolvimento da 3T Systems

Isso é o que o cidadão deveria receber ao contratar um seguro de auto. Porém, nem sempre é assim. O perfil é determinado de forma superficial. Não existe uma medição real da forma como o veículo é exposto, tal como tempo de utilização, horário de utilização, forma de condução etc. É realizada apenas uma avaliação superficial, feita pela idade, sexo, entre outros. Por isso, as seguradoras cobram valores, muitas vezes, não correspondentes ao risco real que esta sendo contratado.

Outro ponto é que, do total pago a título de prêmio, apenas cerca de 55% vai para a cobertura dos sinistros. Os demais 45% são relativos a despesas de comissão, despesas indiretas administrativas, impostos e lucro da seguradora. As seguradoras, durante anos, estabeleceram regras que excluem grande parcela da população do direito de buscar proteção ao seu bem. Seja por um preço elevado, seja por critérios de aceitação de risco (veículos com mais de 10 anos de uso seria um exemplo).

É nesse cenário que surgem as Associações de Benefícios, sociedade de pessoas que se propõem, mediante a cooperação de todos os associados, repartirem através de cotas, eventuais prejuízos que possam vir a ocorrer com os veículos dos mesmos. Desta maneira, essas associações oferecem um programa de proteção que providencia formas de restituir eventuais sinistros ocorridos com os veículos de seus participantes. Hoje estima-se que sejam mais de 500 mil veículos protegidos por este tipo de mecanismo.

A reação das seguradoras tem sido alegar que se trata de Seguro Ilegal, pois a atividade não é regulamentada pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados). Algumas matérias veiculadas na mídia chegam a chamar de Seguro Pirata. Porém, a atividade seguradora surgiu, exatamente, deste tipo de iniciativa, há mais de 3.000 anos. Homens que ofereciam camelos para transportar mercadorias pelo deserto, se uniram para a compra de um camelo reserva. Ocorrendo a morte de um dos camelos, o camelo “reserva” passava a pertencer ao proprietário do que morreu e outro camelo reserva era comprado por meio de rateio entre os outros pertencentes ao grupo. Isto permitia a manutenção do sustento da família daquele que perdeu seu principal meio de sobrevivência. Com a organização e regulamentação desta atividade surgiram as seguradoras e esta atividade passou a ser explorada pelo capital. No seguro o risco é transferido para a seguradora. Nas associações não, ele permanece com o associados.

O artigo 5º da Constituição de 1988 garante o direito a todo o cidadão de constituir associações sem fins lucrativos. O que importa é como estas associações são criadas e administradas. Cumprida a lei, não há o que se discutir sobre sua legitimidade. O próximo passo para que as associações possam ser ainda mais vantajosas será a medição mais criteriosa do risco direto, o que algumas já fazem através de rastreamento e monitoramento comportamental de cada motorista. Com isto poderemos ter um critério de rateio das despesas proporcional aos riscos de cada associado e não somente em relação ao valor do veículo.

Algumas associações já consideram um diferencial prever, no Estatuto da Associação, descontos para os associados que não se expoem nas madrugadas de sábado e domingo, (risco elevado de colisão com perda total), para aqueles que não usam o seu carro para ir trabalhar e, até mesmo, para aqueles que dirigem o veículo de forma defensiva.

Mas como estabelecer este critério? O mercado já oferece soluções que avaliam o comportamento do motorista ao volante baseando-se unicamente em dados informados pelo GPS do rastreador e dispensando sensores externos. Hoje, nas associações, apenas 30% da carteira representam cerca de 75% dos risco total. Com a ajuda da tecnologia nesta medição e análise obtendo números muito mais exatos e confiáveis, as mensalidades poderiam ser mais justas com os associados que representem menor risco.

Com as associações funcionando de forma regulamentada, elas poderão ser a melhor alternativa para a parcela da população que representa riscos extremamente baixos, busca preços mais justos e que tem sido afastada do mercado de seguros em função da  prática atual das seguradoras de não diferencia-los

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