• quinta-feira , 24 julho 2014

A história da logística

Atualmente muito ouvimos dizer sobre Logística, as empresas a consideram como um diferencial competitivo, mas afinal, o que é Logística?

Antes de entendermos o que é Logística, necessitamos entender como ela começou.

A palavra Logística se originou do grego logistikos, do qual o latim logisticus é derivado, ambos significando cálculo e raciocínio no sentido matemático.

Desde a origem do homem, mesmo sem que ele soubesse, a logística era utilizada em razão da necessidade de deslocamentos constantes das tribos nômades. Estes deslocamentos ocorriam em função de mudanças climáticas, escassez de alimentos ou mesmo por ameaças de tribos rivais.

Posteriormente, a Logística sempre esteve presente nas guerras, uma vez que os exércitos necessitavam deslocar tropas e suprimentos.

O grande incentivador do uso da Logística para fins militares foi Alexandre o Grande, que foi o maior imperador de seu tempo

A equipe de Alexandre o Grande era capaz de estudar e identificar os pontos fracos de cada cidade que seria atacada, bem como os de cada exército.

Alexandre o Grande também criou o conceito de Armazém Avançado, uma parte de seu exército seguia à frente do resto da tropa com a missão de comprar todos os suprimentos necessários e de disponibilizá-los no trajeto (atualmente muitas empresas usam o mesmo sistema para abastecimento).

O exército de Alexandre o Grande que chegava a 35.000 homens, consumia diariamente cerca de 100 toneladas de alimentos e 300.000 litros de água!

Graças a esta técnica, seu exército conseguia marchar o dobro de distância dos seus inimigos, já que não tinha de carregar seus suprimentos, tornando-se invencível.

Durante a Segunda Grande Guerra, os Aliados liderados pelos Estados Unidos, perceberam que a eficácia nos deslocamentos das tropas e de todo o aparato necessário para a guerra poderia significar a vitória, uma vez que um exército mal suprido dificilmente conseguiria ser eficiente.

Este desenvolvimento de idéias levou à maior operação logística que se conhece até hoje, o Dia “D”, ou o Dia da Vitória.

Em apenas um dia, desembarcaram na França, especificamente na praia de Normandia, cerca de 300.000 homens, que foram apoiados por 5.500 navios e 15.000 aviões. Cada homem carregava cerca de 30 kgs de equipamentos, perfazendo um total de 9.000 toneladas, sem contar à movimentação necessária de alimentos, remédios, veículos, material de comunicação e outras necessidades. Esta operação custou cerca de 20.000 vidas humanas.

A história considera que o sucesso desta operação levou à vitória dos aliados e a conseqüente derrota da Tríplice Aliança, que considerava a Logística como assunto de pouca importância, visando mais o desenvolvimento de armamentos para a guerra.

Após o conflito, nos Estados Unidos, as empresas começaram a enfatizar a Satisfação do Cliente, que poderia proporcionar um aumento do lucro, uma vez que o cliente satisfeito voltaria a comprar, aumentando assim a receita, a Satisfação ao Cliente torna-se mais tarde a pedra fundamental para a Logística Empresarial.

Durante os anos 60, as indústrias perceberam que os conceitos logísticos poderiam ser aplicados à própria indústria, ainda não ligados à produção, mas ligados à armazenagem e a distribuição física.

Foi neste período que se iniciaram os estudos de aproveitamento e racionalização de espaços, bem como os de distribuição física dos produtos como forma de obter ganhos e eficiência. No Brasil, nenhuma empresa conhecia ou aplicava conceitos logísticos.

Nos anos 70, nos Estados Unidos, iniciam-se os estudos para apuração dos custos de manutenção dos estoques e define-se qual a metodologia para seu cálculo. Algumas empresas de ponta no varejo começam a enxergar os benefícios da Logística principalmente na armazenagem e distribuição física.

No Brasil as indústrias automobilísticas começam a explorar os benefícios da Logística, principalmente no que tange à movimentação e armazenagem de peças e componentes, em função da complexidade de um automóvel, que envolvia cerca de 20.000 SKUs e a falta de qualquer um deles significava a interrupção da produção.

Os anos 80 trouxeram o grande desenvolvimento da Logística nos Estados Unidos e Europa, os computadores permitiram que os cálculos matemáticos fossem realizados em tempos infinitamente mais rápidos. Várias técnicas foram desenvolvidas como Kanbam, JIT, MRP e outras. A eficácia de práticas logísticas começa a integrar Logística, Marketing, Vendas e Produção.

No Brasil surge o primeiro grupo de discussão e estudos de Logística, as empresa automobilísticas passam a adotar o JIT, Just in Time e o Kanbam, desenvolvidos pela Toyota.

A ABRAS, Associação Brasileira de Supermercados cria um departamento para estudos de Logística e a análise das relações entre fornecedores e supermercados, e cria também o palete PBR ou padrão Brasil, unificando o uso por todos os fornecedores e supermercados. Esta decisão trouxe um aumento de eficiência brutal, reduzindo o tempo de carga e descarga dos veículos.

No final da década de 80, desembarcou no Brasil o primeiro operador logístico, a Brasildock’s. Esta década foi marcada por uma alta inflação e forte aposta nos estoques. As empresas ganhavam na valorização dos produtos no estoque e com a aplicação financeira dos recursos em caixa, foi a época do “varejo fácil”.

Os anos 90 foram marcados mundialmente pela formação dos mercados globais, MCE , Mercado Comum Europeu, NAFTA, e Mercosul.

No Estados Unidos, Europa e Ásia, as empresas passam a reconhecer a importância da Logística, tanto no que diz respeito à Armazenagem e Distribuição, agora integrando também a Produção.

Vários conceitos foram criados como ECR, Efficient Consumer Response ou Resposta Eficiente ao Consumidor, EDI, Electronic Data Interchange ou Intercâmbio Eletrônico de Dados, ERP, Enterprise Resource Planning ou Planejamento dos Recursos do Negócio, entre tantas outras técnicas.

No Brasil, os anos 90 são marcados pelo fim da inflação com o advento do Plano Real, as empresas sofrem um duro golpe com o fim da “Ciranda Inflacionária”, e dos ganhos de valorização dos estoques e os resultantes de aplicações financeiras.

Logo as empresas percebem que a manutenção de altos estoques significaria perdas, pois não haveria ganhos em sua valorização.

A informática sofreu uma profunda evolução, levando os preços dos computadores para patamares aceitáveis, com isso, a disseminação do uso foi brutal, possibilitando o implemento de programas como o WMS, Warehouse Management System ou Sistema de Gerenciamento de Armazéns, o uso de códigos de barras para controle dos estoques e de roteirizadores para os veículos das frotas.

O varejo e a indústria passam a encontrar na Logística uma forma de ter um maior controle de seus estoques, sua produção e a distribuição.

Ainda nos anos 90 as primeiras privatizações acontecem nas rodovias, portos, telecomunicações, ferrovias e terminais de containeres, resultando em significativa melhoria nos serviços, queda de preços resultantes da livre concorrência e uma maior oferta de serviços.

Novos operadores logísticos desembarcam no Brasil, trazendo maior concorrência, e a disponibilidade de serviços cada vez mais especializados.

Começa no Brasil um novo ramo de atividade, o e-commerce, ou comércio pela Internet, onde o consumidor poderia facilmente sem sair de casa ter acesso a um sem número de produtos.

A globalização estoura no mundo todo, forçando os mercados a serem competitivos.

No início do século XXI, os Estados Unidos, Europa e Ásia avançaram com o conceito logístico de Supply Chain, ou Cadeia de Suprimentos, onde a integração passa a ser total entre o varejo, a indústria, o fornecedor de peças e o fornecedor de matérias primas para montagem das peças, ou seja, integrar em uma montadora automobilística, por exemplo, a concessionária onde o carro é vendido, a montadora onde ele é montado, as industrias que fornecem as autopeças para a montadora, e às indústrias que fornecem os componentes para montagem das autopeças, até o elo final, tornando assim possível o ganho em escala. Neste caso quando um carro novo é vendido, toda a cadeia recebe a

informação e se programa para iniciar a produção para atender a reposição do bem.

No Brasil vivemos um crescimento muito rápido das técnicas de logística. As universidades iniciaram cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e até doutorados nesta área.

As pequenas empresas sentiram a necessidade de acompanhar a evolução, pois o mercado passou a ser muito competitivo, os ganhos foram reduzidos, e ter o produto certo, na hora certa, na quantidade certa, no lugar certo com o menor custo possível passou a ser o maior diferencial.

A satisfação do cliente passou a ser o mais importante objetivo, todas as empresas passaram a se preocupar em atender bem antes e depois, de efetivada a venda. Esta preocupação chega a tal ponto que grandes indústrias de alimentos iniciam o processo logístico na escolha das propriedades onde será feita a produção da matéria prima do produto, uma granja que produzirá frangos, por exemplo, e este processo só termina no dia seguinte após o consumidor ter consumido o produto, se ele não houve nenhum problema, é sinal que o processo logístico foi perfeito.

Finalmente após entendermos como começou e como evoluiu a Logística podemos tentar entender para onde ela está indo.

A total integração entre todos os departamentos, resultando em um maior controle e melhora no fluxo de informações, que passa a ser o maior patrimônio de uma empresa, superior até ao capital.

Empresas rivais passam a ter uma maior cooperação, unindo-se em torno de um objetivo comum, temos como exemplo a união dos dois maiores jornais de São Paulo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, que uniram forças e conseqüentemente conseguiram uma sensível redução nos gastos logísticos com distribuição. Hoje, o carro que distribui a Folha de São Paulo também distribui O Estado de São Paulo.

A criação do conceito de Pedido Perfeito, denominado OTIF, on time, in full, que significa, atendido no tempo certo e completo, capaz de mostrar que todos os itens

foram atendidos no prazo acordado. Muitas indústrias adotam este conceito para medir sua eficiência.

Pensando em integração, as empresas cada vez mais aumentarão a integração da Cadeia de Suprimentos, conseguindo uma redução no custo dos produtos, redução esta, que será repassada aos consumidores.

Ampliação do conceito de “4 Ps”, ou seja:

  • “Product”, ou Produto, onde a empresa decide o produto a ser produzido em função da necessidade do mercado.
  • “Price”, ou Preço, também definido pelo mercado.
  • “Promotion”, ou Promoção, entendida como comunicação em uma forma ampla, voltada principalmente à publicidade.
  • “Place”, ou Praça, enfatizando a distribuição, abrangendo todo o mercado consumidor.

Este conceito permite produzir o produto que o mercado necessita, definir seu preço, colocar nos mercados consumidores e finalmente difundir sua existência.

Poderíamos continuar falando infinitamente sobre os rumos da Logística, mas para tanto necessitaríamos prever quais serão os caminhos que a tecnologia seguirá, pois as duas estão cada vez mais interligadas.

Talvez a solução definitiva seja um único sistema mundial, totalmente interligado, onde todas as informações, devidamente protegidas, fluirão entre todos os computadores do mundo, possibilitando assim o total controle sobre o fluxo de informações.

Outra grande tendência é a Logística Verde, onde as indústrias, as transportadoras e o varejo, disponibilizarão seus produtos com a mínima agressão possível ao meio ambiente.

Hoje, não adianta a indústria se preocupar na manutenção das políticas industriais que não agridam a natureza e embarcar seus produtos em veículos antigos, que poluem cerca de 25 vezes mais que caminhões modernos. Da mesma forma, o varejo disponibilizar os produtos aos consumidores, usando equipamentos antigos, que consomem uma carga muito maior de recursos como, papel e eletricidade.

As indústrias passarão a utilizar transportes eficientes do ponto de vista ambiental, envolvendo o Biodisel, capaz de poluir menos e ser fonte de energia renovável, e também distribuidores e vendedores que se preocupam com esta prática.

Outra grande tendência é a maior integração entre vários modais de transporte, ampliando o uso das hidrovias e ferrovias, mais eficientes em função da maior eficiência energética, modificando profundamente a matriz de transportes.

Agora responda, para você o que é Logística?

Bibliografia:

v  http://www.tigerlog.com.br/logistica/historia.asp
v  http://www.guialog.com.br/Y626.htm
Responsabilidade Social na Cadeia Logística: uma Visão Integrada para o Incremento da Competitividade
v  In: ENCONTRO DE ESTUDOS ORGANIZACIONAIS, 2., 2002, Recife. AnaisRecife: Observatório da Realidade Organizacional : PROPAD/UFPE :ANPAD, 2002. 1 CD.
ALIGLERI Lilian Mara, ALIGLERI Luiz Antonio, GABARDO DA CÂMARA Márcia Regina.
Cenários Estratégicos para o Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil,
v  Tese Apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, 2005.
v  MYOSHI KATO, Jerry.

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